Fernanda de Jesus - Entrevista exclusiva!


Nascida em Viseu, Portugal, porém vive no Rio de Janeiro desde os sete anos de idade. Foi capa da Ele Ela e depois desse ensaio foi convidada a participar do primeiro filme, Eu Dou O Que Ela Gosta. Fernanda de Jesus participou de outros filmes como Amadas e Violentadas, Passaporte Para O Inferno e o sucesso nacional Dona Flor E Seus Dois Maridos. No teatro fez parte dos espetáculos O Sal da Terra, Por Você E Por Mim, Godot nas Praças, Hamlet Machine e O Purgatório. Seu estilo lolita foi enfeitar também a TV na novela O Rebu dirigida por Walter Avancini e Jardel Mello. Fernanda Lopes, como também foi conhecida no início da carreira, quer voltar a atuar e se diz saudosa do meio artístico. Ela nos cede essa entrevista que fala da carreira, do ensaio para a Ele Ela e da vida após o sucesso. A atriz foi premiada com troféu de atriz revelação do ano pelo filme Eu Dou O Que Ela Gosta, prêmio como melhor atriz do ano de 1975 pelo Filme Amadas e Violentdas e melhor atriz do ano de 1976 pelo filme Passaporte Para O Inferno.
Revista Ele Ela
Ele Ela: Seu primeiro trabalho como atriz de cinema foi no filme Eu Dou O Que Ela Gosta, você ganhou o papel depois que o cineasta Braz Chediak te viu na capa da Ele Ela?
Fernanda de Jesus: Sim, quando o diretor viu minha capa, viu o perfil perfeito da protagonista Giovanna.

EE: Você já atuava antes disso?
FJ: Sim, sempre atuei desde menina. Fiz parte do espetáculo Sal da Terra, onde fui considerada por Vinicius de Moraes a atriz que levantava o espetáculo, depois em um grupo, lançamos o poema Vietnã, do (poeta) Ferreira Gullart no Teatro de Arena e no (teatro) Casa Grande.

EE: E como você foi parar na capa da revista?
FJ: Eu era muito amiga da (atriz) Sandra Barsotti, ela me ligou e disse que estavam fazendo um programa na TV com a Ele Ela, um concurso, quem ganhasse Seria o Pôster Sexy da revista e assim fui fazer o teste de fotogenia, só que acabou o programa e eu não fiquei sabendo de mais nada.

EE: Do teste para a capa, como você soube que seria a estrela da edição?
FJ: Descendo um dia minha rua vi um cartaz enorme e me reconheci, era eu na revista, sem ter pousado para ela ainda.

EE: Dizem que você era menor de idade na época do ensaio, é verdade?
FJ: Sim, era menor de idade na época, mas meus pais apesar de rigorosos me apoiaram.

EE: Não teve medo de fazer um ensaio sensual para uma revista tão conhecida na época?
FJ: Como falei não fiz fotos sensuais, fiz fotos ligeiramente sensuais, pois foi apenas um teste.
Ensaio recente
EE: Sofreu algum tipo de preconceito depois do ensaio e dos filmes que você atuava na época da pornochanchada?
FJ: Não, os papéis que existam não tinham nem roteiro direito, por isso fiz poucos filmes. 

EE: Muitas atrizes abandonaram esse tipo de filme porque, depois de um período de baixa bilheteria, começaram uma fase de sexo explícito, essa foi a razão para você parar de atuar nesse ramo também?
FJ: Jamais ia tirar a roupa por tirar, só para mostrar meu corpo, então tudo eu cortava do meu caminho, pois nada mais existia, enfim também contribui para a minha retirada.

EE: Na TV você fez parte do elenco da novela O Rebu. O sucesso dessa novela foi estrondoso, te assustou com tanta visibilidade?
FJ: Não, o sucesso nunca me assustou, porque nem cheguei a realizá-lo na minha cabeça, pra mim tudo era natural. Eu não pensava em sucesso e fama, pensava no trabalho, nos personagens, isso sim me importava e como não existiam grandes personagens, fazia sempre a menininha pura e ingênua.

EE: Como era trabalhar com tanta gente famosa e talentosa?
FJ: Trabalhar com gente famosa era muito bom, pois além de experientes, ainda ajudavam na construção do personagem como o (ator e diretor) Lima Duarte, por exemplo, que é uma pessoa admirável e um profissional do mais alto escalão.
Novela O Rebu e os os filmes Passaporte Para O Inferno, Dona Flor e Seus Dois Maridos e Eu Dou O Que Ela Gosta
EE: Você se dava bem com a mídia ou também havia muita invasão de privacidade naquela época?
FJ: Eu ainda era novata no meio, a invasão foi mais através de jornais e revistas, inventaram fofocas, perdi um namorado que eu adorava por causa disto, inventavam absurdos!

EE: Novelas, cinema, teatro, modelo... Qual o trabalho que foi o que mais te marcou?
FJ: O cinema foi o que mais me marcou, adorei fazer e tive a sorte de pegar grandes diretores. Todos me deram prazer, eu amo a arte então quando se faz tudo com simplicidade e amor fica difícil dizer o que mais me marcou.

EE: Depois de tantos trabalhos de sucesso você sumiu, foi opção sua?
FJ: Não, eu saí por motivos pessoais, não dava mais para continuar na minha carreira tive que fazer uma escolha.

EE: O que você fez nesse período?
FJ: Não, sumi por opção minha, eu precisava sobreviver e a arte não me dava o suficiente, eu estava com dois filhos tive que ir á luta por eles. No período que sumi comecei a trabalhar com vendas, mas mesmo saindo da mídia, nunca deixei de fazer trabalhos curtos durante todo esse período. 

EE: Algumas mulheres reclamam que ser bonita muitas vezes as limita e rotula, impedindo de fazer outros tipos de papéis. A beleza sempre te ajudou ou teve algum momento que foi empecilho?
FJ: Nunca me achei bonita, juro, era magrela com os cabelos compridos, nem sei o que achavam em mim. A beleza nunca foi nem impedimento nem empecilho.

EE: Dá trabalho ser muito bonita, ou melhor, dá trabalho ser a Fernanda de Jesus?
FJ: Para mim nunca me deu trabalho ser bonita como dizem, eu era natural, não usava nada de especial, sempre fui eu mesma.
EE: Mesmo depois de tanto tempo depois do seu último trabalho as pessoas ainda lembram-se de você, como você analisa sua carreira?
FJ: As pessoas lembram-se de mim, pelo fato de ter trabalhado com grandes diretores e porque também me achavam bonita, realmente fotograficamente eu fico até hoje fora de série!(risos) 

EE: De Viseu para o Leblon, no Rio de Janeiro, você se considera portuguesa ou brasileira?
FJ: Me considero brasileira, no entanto não posso esquecer minhas raízes.

EE: Há algum projeto que a gente possa rever seu trabalho de atriz novamente?
FJ: Sim, estou esperando o roteiro de um filme do Normando Rabelo e estou escalada para fazer o espetáculo em Campinas, O Inspetor Geral. 

EE: E novelas, quando a veremos na telinha novamente?
FJ: Nas novelas ainda não tenho nada em vista, exatamente porque o pessoal de lá ainda não sabe que retornei, preciso voltar à mídia, para que eles tomem conhecimento, ou outra forma que encontrar, pois perdi todos os contatos e principalmente porque mudou, hoje tem muita gente que nem conheço.

EE: Diga pra gente: Quem é Fernanda de Jesus?
FJ: Fernanda de Jesus é uma mulher simples e humilde, que prega e vive a palavra amor. Esse é meu lema de vida! Não tenho medo de críticas, arrisco tudo pela arte e faço tudo que meu coração mandar. Sou sincera demais, verdadeira demais, tudo demais para viver neste mundo onde as pessoas se cobrem de máscaras, procuro sempre a verdade esteja onde estiver e com quem estiver.


EE: Os leitores do blog são apaixonados pela sua capa, entre as centenas da Ele Ela. O que você acredita que a fez inesquecível?
FJ: Realmente é uma capa diferente de tudo que vi até hoje, eu que bolei a história do macacão cobrindo os seios que praticamente nem tinha e como te falei minha fotogenia é incrível. Realmente pelo que vejo, despertei muitas paixões...
Capa de 1974 e o segundo ensaio em 1976



Fonte: site Fernanda de Jesus
Contato: Facebook Fernanda de Jesus - atriz 
Fotos do ensaio na praia: Willian de Farias
Outras fotos: Arquivo pessoal
Entrevista: Anderson Gomes Leal

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